“Green Book” 2018

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Biografia, Comédia, Drama

Realização: Peter Farrelly

Argumento: Nick Vallelonga, Brian Hayes Currie, Peter Farrelly

Elenco: Viggo Mortensen, Mahershala Ali, Linda Cardellini, Sebastian Manicalco…

Tony Lip está à procura de trabalho depois do encerramento do Copacabana, a discoteca onde era segurança e porteiro. Conhece então o pianista Don Shirley, que o desafia a conduzi-lo numa digressão pelo Sul dos Estados Unidos. Na viagem, começam por entrar em rota de colisão, mas um vínculo forte começa a crescer entre os dois.

 

 

Baseado num história verídica, este filme passa-se na década de 60 nos EUA. Uma época ainda marcada pela discriminação racial.

Ora, primeiro conhecemos Tony Lip, um italo-americano rude, com esperteza que chegue, algo preconceituoso também. E, homem de família. Novas circunstâncias fazem com que Tony necessite de um novo emprego, aparece-lhe no caminho um emprego como motorista. E, consegue-o, e a partir desse momento Tony passa a ser motorista do músico Dr. Don Shirley. Um músico de cor de pele negra, educado, com formação superior, sereno e criativo… Uma relação que começa por ser estritamente profissional: Tony precisava de um emprego e de dinheiro para sustentar a família, já Shirley precisava de um assistente que soubesse lidar com situações complicadas. Dois indivíduos muitos diferentes, que se apercebem dessa mesma diferença e com base nela fazem pré-julgamentos e generalizações um do outro, e que pensam que nada têm em comum. Tony tem hábitos considerados estranhos para Shirley, gosta de converseta e tem uma maneira de estar descontraída e rude,  percebido também na linguagem. Shirley é mais introvertido e cuidadoso na maneira de estar e de se apresentar. Essas dictomias nas suas personalidades proporcionam cenas algo cómicas durante o filme. Contudo, ao longo do tempo, cresce uma amizade, e um entendimento entre os dois. Influenciam-se mutuamente e positivamente. Se Tony começa a ver a diferença da cor da pele como indiferente e absorve alguma da cultura que Shirley tem para transmitir, já Shirley aprende a apreciar mais a vida, a ser um pouco mais espontâneo e a conhecer outros estilos musicais que não o seu. E, assim vão viajando e apreciando a viagem.

Ora, já o título do filme deriva do guia que dos sítios nos quais pessoas de cor de pele negra poderiam pernoitar durante as viagens ao sul dos EUA, a zona mais conversadora do país. E, um guia real. Sim , porque apesar de Shirley ser um músico conceituado e possuidor de graus académicos superiores, era-lhe também vedado o acesso a certos locais. O sul era racista e hipócrita, pois as elites convidavam Shirley para tocar de forma a se sentirem cultas, mas o mesmo não podia ás vezes partilhar o mesmo restaurante ou as mesmas casas de banho. Contudo, Shirley espera que com essa tourné pelo sul possa mudar mentalidades. Algo que Tony não compreende, como Shirley é mal tratado e nada faz.

O currículo do realizador Peter Farrelly está repleto de comédias, e tem em “Green Book” o seu melhor desempenho como realizador. Um filme realizado de forma simples, mas bem conseguida. Farrelly também foi coargumentista com o filho de Tony Lip e Brian Currie. O trabalho conjunto dos três resultou num argumento bem escrito, sem muitos floreios, simples e direto, não se focando demais no racismo, optando por mostrar a história das duas personagens.

Adorei a química e o desempenho de Viggo Mortensen e Mahershala Ali. Viggo Mortensen faz nos gostar aos poucos da sua personagem, pois a mesma vai evoluindo ao longo filme. Mortensen comprometeu-se com o papel ao mudar a sua aparência física e ao aprender os maneirismos e dição italianas. Já Mahershala Ali interpreta na perfeição a pessoa de Shirley Temple, um homem culto, dotado de talento, mas nos seus olhos percebemos a sua solidão.

Em suma, “Green Book” é um filme que não fala só de discriminação, fala sobretudo do surgimento de uma bonita amizade baseada na compreensão e aceitação. É um filme delicioso que nos emociona na dose certa, e que não deixa de entreter quem está do outro lado. É, sem dúvida, um dos meus favoritos para a noite dos Óscares.

Classificação- 4,5 em 5 estrelas

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“A Star is Born” 2018

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Drama, Romance

Realização: Bradley Cooper

Argumento: Eric Roth, Bradley Cooper, Will Fetters

Elenco: Bradley Cooper, Lady Gaga, Sam Elliot, Andrew Dice Clay…

Jackson Maine, um músico consagrado que descobre – e se apaixona – por Ally, uma artista em dificuldades. Esta tinha desistido de realizar o sonho de ser cantora até que Jack a ajuda a chegar aos grandes palcos e ao estrelato. Mas enquanto a carreira de Ally descola, o lado pessoal da relação de ambos começa a deteriorar-se, ao mesmo tempo que Jack luta contra os seus próprios fantasmas.

Este filme já teve a sua quota parte de remakes no passado. Confesso que nunca tinha visto nenhum dos remakes, por isso não tinha termo de comparação em termos de qualidade. O único elemento que tinha para medir as minhas expectativas era o hype e oscar buzz que existia mesmo antes da estreia do filme.

Jackson Maine era um cantor, uma estrela, mas que já não encontrava prazer no que fazia, e por isso refugiava-se em vícios. O irmão de Jackson, Bobby, era também o manager, um irmão que vivia na sombra, e que almejava para si próprio esse sonho da música. A vida de Jackson mudou quando se cruzou, por acaso, com Ally, uma empregada de mesa aspirante a cantora. Jackson ficou imediatamente encantado com ela, e puxou-a para o mundo musical. E, ela nunca mais parou. Ally protagonizou a sua versão da história da Cinderela, uma empregada de mesa com um sonho, que no final se concretizou. Mas, nem tudo foi perfeito.

O argumento foi bem escrito e claro para o espectador. Lidou com aquela verdade universal que nem tudo é perfeito na vida, nem mesmo com a concretização de um sonho, pois há sempre algo que é sacrificado. A história de amor entre os dois protagonistas também ficou longe da perfeição, apesar dos seus sentimentos serem verdadeiros e profundos, tiveram de ultrapassar muitos obstáculos. E, mesmo a concretização desse sonho não foi plena para Ally, teve de escolher entre a sua individualidade e abdicar do que a tornava diferente, para conseguir entrar na indústria musical. Ally teve de fazer cedências e tornou-se mais mainstream. Algo que se tornou num ponto de discórdia entre o casal.

Bradley Cooper realizou o seu primeiro filme e não lhe correu nada mal, antes pelo contrário. Escolheu uma história empática que emociona, que não deixa inguém indiferente, que falou sobre a vida que é mesmo uma mistura entre um romance, um drama, uma comédia…Para tornar a experiência mais realista, Copper filmou os concertos em festivais, com um público real. E, preferiu close ups.

Gostei muito da interpretação de Bradley Cooper neste filme, das minhas favoritas sem dúvida. Já Lady Gaga surpreendeu pela positiva, mas acho exagerada a sua pretensão para ganhar o óscar de melhor atriz. Não seria a minha escolha.

Uma menção à banda sonora que ficou rapidamente no ouvido e que foi uma parte fulcral no filme.

“A Star is Born” é um bom filme com uma história de um encontro do destino entre duas pessoas que se achavam perdidas. Contudo, este filme, comparando com outros potenciais vencedores dos Óscares e vencedores de anos anteriores, é mais fraco em termos de qualidade.

Classificação- 4 em 5 estrelas

Óscares 2019 (Nomeados)

 

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Conheçam os nomeados aos Óscares 2019.

Adorei a nomeação de “Black Panther” para melhor filme. Claro que não terá hipótese de ganhar, mas ser nomeado já é uma vitória. Por isso, irei torcer pelos filmes “Green Book” e “The Favourite”. “Bohemian Rhapsody” foi uma surpresa. Devo dizer que senti falta de “First Man” em melhor filme e a nomeação de Ryan Gosling para melhor actor.

Agora há que fazer apostas e que ganhe o melhor.

Melhor Filme: A Star is Born, Black Panther, BlackkKlansman, Bohemian Rhapsody, Green Book, Rome,  The Favourite, Vice

Melhor Atriz
Yalitza Aparicio
Glenn Close
Olivia Colman
Lady Gaga
Melissa McCarthy

Melhor Ator
Christian Bale
Bradley Cooper
Willem Dafoe
Rami Malek
Vigo Mortensen

Melhor Atriz Secundária
Amy Adams, em “Vice”
Marina de Tavira, em “Roma”
Regina King, em “Se Esta Rua Falasse”
Emma Stone, em “A Favorita”
Rachel Weisz, em “A Favorita”

Melhor Ator Secundário
Mahershala Ali, em “Green Book: o guia”
Adam Driver, em “BlackkKlansman: o infiltrado”
Sam Elliott, em “Assim Nasce uma Estrela”
Richar E. Grant, em “Can You Ever Forgive Me?”
Sam Rockwell, em “Vice”

Melhor Realizador
Spike Lee, “BlackkKlansman: o infiltrado”
Pawel Pawlikowski, “Guerra Fria”
Yorgos Lanthimos, “A Favorita”
Alfonso Cuarón, “Roma”
Adam McKay, “Vice”

Melhor Filme de Animação
“Os Incríveis 2”
“Ilha dos Cães”
“Mirai”
“Ralph Vs Internet”
“Homem Aranha: no universo Aranha”

Melhor Curta de Animação
“Animal Behaviour”
“Bao”
“Late Afternoon”
“One Small Step”
“Weekends”
Melhor Curta-Metragem
“Detainment”
“Fauve”
“Marguerite”
“Mother”
“Skin”

Melhor Documentário
“Free Solo”, Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin, Evans Hayes e Shannon Dill
“Hale County This Mourning, This Evening”, Ramell Ross, Joselyn Barnes e Su Kim
“Min the Gap”, Bing Liu e Diane Quon
“Of Fathers and Sons”, Talal Derki, Ansgar Frerich, Eva Kemme e Tobias N. Siebert
“RBG”, Betsy West e Julie Cohen

Melhor Curta Documental
“Black Sheep”, Ed Perkins e Jonathan Chinn
“End Game”, Rob Epstein e Jeffrey Friedman
“Lifeboat”, Skye Fitzgerald e Bryn Mooser
“A Night at the Garden”, Marshall Curry
“Period. End of Sentence.”, Rayka Zethabchi e Melissa Berton

Melhor Montagem
“BlackkKlansman: o intruso”
“Bohemian Raphsody”
“A Favorita”
“Green Book: o guia”
“Vice”

Melhor Filme Estrangeiro
“Cafarnaum” (Líbano)
“Cold War” (Polónia)
“Never Look Away” (Alemanha)
“Roma” (México)
“Uma Família de Pequenos Ladrões” (Japão)

Melhor Argumento Original
“A Favorita”
“First Reformed”
“Green Book: o guia”
“Roma”
“Vice”

Melhor Argumento Adaptado
“A Balada de Buster Scruggs”
“BlackkKlansman”
“Can You Ever Forgive Me?”
“Assim Nasce uma Estrela”

Melhor Fotografia
“Guerra Fria”
“A Favorita”
“Nunca Deixes de Olhar”
“Roma”
“Assim Nasce uma Estrela”

Melhor Guarda-Roupa
“The Ballad of Buster Scruggs”, Mary Zophres
“Pantera Negra”, Ruth Carter
“A Favorita”, Sandy Powell
“Mary Poppins”, Sandy Powell
“Maria, Rainha dos Escoceses”, Alexandra Byrne

Melhor Caracterização
“Border”
“Maria, Rainha dos Escoceses”
“Vice”

Melhor Banda Sonora
“Pantera Negra”, Ludwing Goransson
“BlackkKlansman: o intruso”, Terence Blanchard
“Se Esta Rua Falasse”, Nicholas Britell
“Ilha dos Cães”, Alexandre Desplat
“Mary Poppins”, Marc Shaiman

Melhor Canção Original
“All The Stars”, de “Pantera Negra”
“I’ll Fight”, de “RBG”
“The Place Where Lost Things Go”, de “Mary Poppins”
“Shallow”, de “Assim Nasce uma Estrela”
“When A Cowboy Trades His Spurs For Wings”, de “A Balada de Buster Scruggs”

Melhores Efeitos Visuais
“Os Vingadores”
“Christopher Robin”
“O Primeiro Homem na Lua”
“Jogador 1”
“Solo: Uma História de Star Wars”

Melhor Direção de Arte
“Pantera Negra”, Hannah Beachler e Jay Hart
“A Favorita”, Fiona Cromble e Alixe Felton
“O Primeiro Homem na Lua”, Nathan Crowley e Kathy Lucas
“Mary Poppins”, John Myhre e Gordon Sim
“Roma”, Eugenio Caballero e Barbara Enriquez

Melhor Edição Sonora
“Pantera Negra”
“Bohemian Raphsody”
“O Primeiro Homem na Lua”
“Um Lugar Silencioso”
“Roma”

Melhor Mistura de Som
“Pantera Negra”
“Bohemian Rhapsody”
“O Primeiro Homem na Lua”
“Roma”
“Assim Nasce uma Estrela”