Trailer “Vinland Saga”

 

Um dos animes mais aguardados de 2019.

A história começa com a introdução de um pequeno grupo Viking liderado por um comandante astuto chamado Askeladd e que conta entre os seus membros com Thorfinn, um jovem guerreiro talentoso. O bando encontra uma fortaleza cercada e faz um acordo com o exército de ataque para trabalhar com eles em troca de metade pilhagem do forte. O astuto Askeladd engana-os e foge juntamente com todas as riquezas da fortaleza.
Apesar de ser um membro valioso do bando, Thorfinn tem um rancor profundo contra Askeladd pois este matou o seu pai. O jovem exige incessantemente duelos com o seu comandante num esforço para se vingar, mas invariavelmente perde.

“Bleach” 2018

 

bleach_banner

Ação, Fantasia, Aventura

Realização: Shinsuke Sato

Argumento: Daisuke Dabara

Elenco: Hana Sugisaki, Sôta Fukushi, Erina Mano, Myavi…

Ichigo Kurosaki é um adolescente de Karakura que vê fantasmas, um talento que lhe permite conhecer Rukia Kuchiki, uma shinigami cuja missão é levar as almas dos mortos do mundo dos vivos para a Soul Society enquanto luta Hollows — monstruosas almas perdidas. Quando Rukia fica ferida ao defender Ichigo e a sua família de um Hollow, ela transfere os seus poderes para Ichigo para que ele possa lutar em vez dela. Mas, Ichigo encontra-se numa luta além da imaginação, enquanto ele encontra um par de shinigamis enviados para recuperar Rukia contra a sua vontade.

O filme Bleach foi adaptado de uma manga escrita por Tite Kubo, do mesmo nome, que depois também evoluiu para um anime. Uma história que fez sucesso um pouco por todo o mundo. Eu própria sou fã desta manga/anime. Eu senti uma ligação imediata com a história, as personagens… Mas, claro que não podia ser tudo perfeito. O final da manga foi horrível, e não esteve à altura do seu próprio passado. Acho que ainda não superei, por isso faço de conta que não existiu. Mas, deixemos esses comentários para outro artigo. Já o passado dos live- actions adaptados a partir de manga/anime não é bom, muitos poucos filmes conseguiram capturar a essência do material de origem. Mas, este até surpreendeu pela positiva.

Este filme baseou-se no primeiro arco da manga que abarca 8 volumes.

O filme conseguiu, no geral, capturar a essência do que era esta história. E, o mais importante conseguiu mostrar a forte relação entre Ichigo e Rukia. O início do filme focou-se no passado de Ichigo, e depois no seu presente. Já a história de Rukia vamos conhecendo ao longo do filme. Assistimos ao crescimento destas personagens, mas também da relação entre ambas: dois estranhos que se tornam bons amigos, uma boa relação de cumplicidade. Algumas personagens secundárias tiveram mais importância que outras. A família de Ichigo e Ishida Uryuu foram, no geral, bem retratados. Já Inoue, infelizmente, ficou reduzida ao papel de adolescente apaixonada e ciumenta e Sado e Uruhara Kisuke foram bem retratados, mas poderiam ter usufruído de mais tempo de antena. Já aos shinigamis Renji e Byakuya faltou-lhes a imponência e o primeiro impacto que tiveram estas mesmas personagens no material de origem.

O argumento tomou algumas liberdades criativas, e mudou alguns aspetos, mas se calhar deveu-se ao facto de criar atalhos para contar a história. É preciso ter em atenção que é difícil pôr tanta a informação em cerca de duas horas de filme. Pessoalmente, preferiria que fosse igual à história original, mas não foi por aí que o argumento falhou mais.

O realizador Shinsuke Sato apostou forte na ação e foi das partes mais satisfatórias do filme. Boas lutas entre shinigamis e hollows, e shinigamis e shinigamis. Bem coreografadas e com efeitos especiais á altura (expecto o efeito especial da espada de Renji). Aliás, os bons efeitos especiais tornaram os hollows credíveis, qb. E, a ação e o diálogo foram bem equilibrados ao longo do filme.

Já os departamentos de design de produção e guarda-roupa também estiveram á altura do desafio, tornando os cenários (como da cidade de Karakura) e as personagens credíveis.

O elenco teve boas e más interpretações. Hana e Sôta estiveram perfeitos como Rukia e Ichigo. Conseguiram representar bem as respetivas personagens e conseguiram criar empatia com os espectadores. Destaco pela positiva também Ryô que interpretou Ishida. Já pela negativa, tenho de mencionar Miyavi e Taichi, que interpretaram Byakuya e Renji. Acho que não retrataram com qualidade as suas personagens, até aumentaram certos aspectos das próprias personalidades.

Em suma, este live action de “Bleach” conseguiu adaptar de forma satisfatória o material de origem, apesar de notarmos algumas diferenças. Sem dúvida, as partes mais bem conseguidas são as que envolveram Rukia e Ichigo, e a ação. Por outro lado, algumas personagens ficaram algo apagadas, e algumas interpretações deixaram a desejar. É óbvio que era necessário um pouco mais tempo para conhecer melhor este mundo e personagens. Mas, no final, não nos podemos de nos deixar nostálgicos ao recordar bons momentos do manga/anime “Bleach”.

Classificação- 3,5 em 5 estrelas

 

 

 

“A Silent Voice” (2016)

A-Silent-Voice-Banner

Título Original: “Koe No Katachi”

Animação, Drama, Romance

Realização: Naoko Yamada

Argumento: Reiko Yoshida,

Elenco: Miyu Irino, Saori Hayami, Aoi Yûki, Kenshô Ono, Yûki Kaneko…

Shouko Nishimiya é uma estudante com deficiência auditiva. Após se transferir para uma nova escola, Nishimiya passa a ser alvo de bullying, e em pouco tempo precisa de se transferir. Um dos seus colegas, Shouya, é condenado ao ostracismo e fica sem amigos. Mais tarde, Shouya reaparece na vida de Nishimiya com um novo propósito.

Adaptado de uma manga, este filme de animação japonesa é emotivo, e ao mesmo tempo pertinente. Aborda o bullying, mas de uma maneira diferente, pois foca-se mais no ponto de vista do agressor.

Nishimiya era incomodada por Shouya devido à sua deficiência auditiva. Mesmo alguns dos seus colegas não viam a pessoa para além dessa diferença. Ora, quando Shouya foi rotulado ele próprio mas como agressor, sofreu na pele o desprezo e o afastamento daqueles que considerava seus amigos. E, sofreu emocionalmente com esse afastamento, mas também sofreu com as suas ações para com Nishimiya. E, a partir daí deu-se uma mudança. Cresceu e mudou e procurou redimir-se dos erros do passado. Nós próprios, espectadores, passamos de querer exercer violência física em Shouya, para depois lhe querer dar colo. Já Nishimiya é uma personagem adorável, simpática, amiga, apesar de todo o preconceito que sofre. Mas, também percebemos que também ela passa por momentos depressivos. E, como ela não fala, ela comunica não só com língua gestual, mas também com as suas expressões faciais e gestos. Conseguimos perceber, muitas vezes, as suas emoções apenas pela sua expressão.

A relação desenvolvida entre os dois personagens é muito interessante, pois a dinâmica muda ao longo do filme. Uma relação que vai ter de superar obstáculos. Mas, esta relação afeta não só os dois, mas também as suas famílias: a família de Nishimiya tem de lidar com o preconceito dos outros, e a família de Shouya tem de lidar com o facto de ele ser um agressor, e perceber o que fazer a seguir.

Para além destas duas personagens, existe um conjunto de personagens secundárias que também são importantes para a história e que conferem variedade de personalidades e crescimentos.

Para além do bullying, este filme também aborda o suicídio, o preconceito e chama a atenção para a dificuldade de integração de pessoas com deficiência na sociedade. Contudo, também aborda a amizade, a família e a aceitação. E, faz-nos acreditar na capacidade de mudança e de bondade dos seres humanos.

A realização de Naoko Yamada (animadora e realizadora de tv e cinema) está perfeita, a animação é lindíssima e atenta ao pormenor, mas acho que já nos habituamos à qualidade da animação em filmes de animação japonesa. Tal como à qualidade do elenco de vozes.

Em suma, “A Silent Voice” é um filme de animação comovente que trata temáticas delicadas como a diferença, o bullying e o suicídio de uma forma cuidada e pertinente. Um filme que preenche todos os requisitos de um bom filme, e que fica na nossa memória pela sua mensagem.

Classificação- 4,5 em 5 estrelas

“Death Note” (2017)

Death-Note-Netflix-Poster-L-Light-Ryuk-Mia-LEPOP

Aventura, Crime, Drama

Realização: Adam Wingard

Argumento: Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides, Jeremy Slater

Elenco: Nat Wolff, Lakeith Stanfield, Willem Dafoe…

“Death Note” é um filme adaptado da manga e anime com o mesmo nome. Tanto a manga como anime, são uma parte importante da cultura otaku japonesa, tendo fãs espalhados pelo mundo. Como por exemplo, eu.

A premissa do filme é semelhante ao material pré-existente. Conta a história de Light Turner, um brilhante estudante do secundário que descobre um caderno (propriedade de um shinigami- deus da morte) que lhe dá o poder de matar alguém ao escrever apenas o nome. Com esse caderno, Light quer fazer justiça e punir os criminosos, e adopta o pseudónimo de Kira. Mas, um misterioso detective conhecido por L quer descobrir a verdadeira identidade de Kira.

Realizado por Adam Wingard, nota-se que este filme adoptou algumas diferenças em relação ao material de origem: como por exemplo nas personagens e no contexto cultural, que não é japonês. Contudo, para quem conhece esse mesmo material, é difícil não comparar os mesmos. E, não teria mal em ser diferente, desde que fosse uma boa adaptação, mas não é o que acontece.

A começar pelas personagens. Light Yagami deixa muito a desejar, não tem carisma, não mostra ser inteligente e manipulador. A complexidade da sua personagem mostrada no material de origem caiu num estereótipo do típico adolescente. E o Light da manga é tudo menos típico. O detective L, no início do filme, até mostrou ser carismático e perspicaz, mas na última metade do filme tudo isso vai por água abaixo ao tornarem-no numa personagem obcecada, vingativa e pouco racional. E, não percebemos essa mudança na personalidade. A personagem Mia é um desperdício de espaço, pouco memorável. O shinigami é a melhor personagem do filme. Willem Dafoe fez um bom trabalho na forma como empresta a sua voz à personagem. O problema é que aparece pouco, e teria sido interessante explorar mais a sua relação com Light.

No que diz respeito ao argumento, o mesmo sofre de algumas lacunas e decisões estranhas. E, tudo começa nas motivações de Light que são baseadas no querer mudar a humanidade mas, principalmente, na relação romântica que tem com Mia. Ou seja, apenas quer impressionar uma miúda. E, não se nota a transformação do rapaz para o “deus” Kira. O duelo entre Light e L também é pouco desenvolvido e não existe grande interacção entre as personagens.

O ambiente do filme até estava no caminho correto, mas algo se perdeu. Um apontamento final para a escolha de músicas de soft rock para certas cenas de tensão, que as tornaram ridículas. Até dei por mim a rir, pelos piores motivos, do ridículo que era.

Em suma, este filme é uma pálida adaptação do material de origem, não foi fiel ao material nem o inovou de forma positiva. E, que pecou pela fraca construção das personagens e por grandes falhas no argumento. Um conselho para quem é fã de “Death Note”, não percam tempo a ver este filme.

Classificação- 2 em 5 estrelas