“Stan & Ollie” 2018

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Biografia, Comédia, Drama

Realização: Jon S. Baird

Argumento: Jeff Pope, A. J. Marriot

Elenco: Steve Coogan, John C. Reilly, Shirley Henderson…

Laurel e Hardy, os comediantes mais famosos do mundo, tentam reacender as sua carreiras cinematográficas mas embarcam no que se irá tornar o seu canto de cisne, uma tournée teatral na Grã- Bretanha do pós-guerra.

No início do séc.XX, Stan Laurel e Oliver Hardy faziam sucesso no cinema americano mudo e sonoro. Que os tornaram nos dos comediantes mais famosos do cinema. Aqui em Portugal, eram conhecidos por Bucha e Estica. Ora, o início do filme foca-se nesse tempo áureo da dupla que era imprescindível para o sucesso do estúdio.  Contudo, 16 anos depois esses tempos já vão longe. Os gostos do público mudaram e já não se deixam encantar tanto pelas piadas físicas e fáceis deste tipo de comédia. Enquanto isso, outros comediantes mais novos aparecem.

Numa tentativa de reavivar a carreira e conseguir fazer mais um filme, a dupla de comediantes faz uma digressão de espetáculos pela Inglaterra. Começa fraquinha, mas vai ganhando gás quando a dupla se propõe a aparecer em eventos.

O argumento é algo irregular. No início do filme, é dada pouca atenção á verdadeira importância da dupla de comediantes no cinema. Depois, percebemos que houve um conflito entre os dois, mas não se percebe muito bem o porquê da separação, e se no salto temporal eles fizeram mais filmes juntos, ou se estiveram cada um para o seu lado. Já no presente, o argumento conseguiu transmitir melhor os acontecimentos. O argumento também tomou algumas liberdades em relação ao que realmente aconteceu. Por exemplo, Stan e Ollie actuaram quase sempre em casas cheias, não houve nenhuma zanga entre ambos que ameaçasse a continuidade da digressão, e a crise cardíaca de Ollie deu-se após um espetáculo e não em público. Contudo, o filme mostrou a relação de amizade entre os dois de uma forma bonita e simbiótica. E, conseguiu misturar a comédia e o drama.

A realização e design de produção conseguiu reproduzir a Inglaterra do pós guerra de forma fidedigna.

Contudo, o melhor do filme reside no elenco e nas interpretações de Steve Coogan e John C. Reilly. Apesar de não serem muito parecidos com quem interpretaram, a subtileza com que interpretaram as mesmas resultou. A sua química e cumplicidade foram evidentes.

“Stan & Ollie” é um filme que cativa qualquer amante do cinema com esta história por detrás das câmaras de “Bucha e Estica” que cativa principalmente pela interpretação do seus protagonistas.  Contudo, o argumento deixou algo a desejar.

Classificação- 3, 5 em 4 estrelas

 

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“Polar” 2019

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Ação, Crime, Drama

Realização: Jonas Akerlund

Argumento: Jason Rothwell

Elenco: Mads Mikkelsen, Vanessa Hudgens, Katheryn Winnick…

Duncan Vizla é um dos maiores mercenários do mundo, mas por conta da idade avançada e da exaustão física e mental que trazem a sua profissão, o homem está em vias de se aposentar. No entanto, os planos são interrompidos quando o seu antigo chefe o convoca para uma nova missão. Mas, a missão não é o que ele pensa.

Duncan é um mercenário que pertence a uma agência chamada Damocles. Ele fez nome e é um mercenário bem conhecido, mas como a idade não perdoa, ele toma a decisão de se reformar. Nota-se um certo cansaço mais até psicológico, pois Duncan é perseguido por fantasmas do passado. No sitio que escolheu para viver os restos dos seus dias, Duncan conhece a jovem Camilhe, e a partir daí nasce uma amizade. Contudo, a vida de mercenário vai impedir o início de uma reforma pacífica. Para além destas duas personagens, temos o chefe de Duncan, Sr. Blut, e uma colega mercenária, Vivian, e um grupo de mercenários com os quais Duncan terá lutar.

O argumento baseou-se na banda desenhada do mesmo nome. Por acaso, não conhecia, por isso não faço ideia do quão parecido é o argumento do filme com o da banda desenhada. Por isso, a minha opinião baseia-se apenas naquilo que vi no filme. O protagonista é carismático, e só ele nos basta para agarrar. A história em si também não é desinteressante, mas poderia ter sido melhor aproveitada. Tem ação, uma pitada de comédia e alguns twists.

No que acho que o argumento erra é que por vezes algumas cenas de nudez e de violência se tornam exageradas, o que era desnecessário,  pois não acrescentaram em muito á história. Apenas violência e nudez gratuita. Outro ponto menos positivo é o vilão da história, que não tem presença nenhuma e quase não dá para acreditar que ele seja o líder de um sindicato de mercenários. A equipa de mercenários também são personagens planas, que são facilmente esquecíveis.

A atmosfera é adequada, com uma realização bastante estilizada. Tomemos como exemplo os créditos iniciais que têm um sing-a-long.

Mads Mikkelsen é o pilar do filme, é um actor com uma presença que marca por onde passa, e não foi exceção neste filme. Se ele não fosse o protagonista, o filme não era tão fácil de assistir. O resto do elenco não se destaca de forma especial. Apenas mais uma menção, neste caso a Vanessa Hudgens que teve de entrar numa personagem psicologicamente ferida.

“Polar” é um filme que tinha como base um material interessante, mas que o desaproveitou, juntamente com o elenco. É um filme de ação mediano que se sustenta só no protagonista, enquanto que as outras personagens não são cativantes. Ficamos com a impressão que poderia ter sido melhor.

Classificação- 3 em 5 estrelas

“Captain Marvel” 2019

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Ação, Aventura, Sci-fi

Realização: Anna Boden, Ryan Fleck

Argumento: Anna Boden, Ryan Fleck, Geneva Robertson-Dworet

Elenco: Brie Larson, Samuel L. Jackson, Jude law, Annette Bening, Clark Gregg, Ben Mendelsohn…

Passado nos anos 90, “Captain Marvel “, da Marvel Studios, é uma nova aventura de um período nunca antes visto na história do Universo Cinematográfico Marvel, que segue a jornada de Carol Danvers enquanto se torna numa das heroínas mais poderosas do universo. Quando uma guerra galáctica entre duas raças alienígenas atinge a Terra, Danvers dá por si juntamente com um pequeno grupo de aliados, no centro do acontecimento.

E, chegou o antecipado filme de “Captain Marvel”. O primeiro filme da Marvel com uma protagonista feminina. Acompanhamos a jornada de Vers, de uma guerreira intergaláctica, para uma protectora do universo. Vers foi adoptada pela raça alienígena Kree, que se encontrava numa guerra e os Skrull, que supostamente são um povo que invade outros planetas e extermina raças. Vers fazia parte de uma equipa que combatia estes inimigos. Foi para isso que ela foi ensinada, já que ela não tinha memorias do seu passado. Contudo, quando Carol Danvers (Vers) vai parar ao planeta Terra (anos 90), numa missão para parar a invasão dos Skrull, ela descobre todo o seu passado, e que, lhe de certa forma, lhe mentiram. E, aí que se encontrou com o incontornável Nick Fury.

O argumento do filme foi algo inconsistente. Alguns pontos do enredo foram algo previsíveis, e não existiu um grande momento de surpresa no filme. Contudo, mesmo que previsível para quem vê a série “Agents of Shield”, o twist da verdade por detrás da guerra entre as duas raças foi interessante. Um dos factores mais positivos do filme, e que tornaram o filme melhor, foi a dinâmica da relação entre Carol e um jovem Nick Fury. Uma amizade inesperada, mas resistente ao espaço e ao tempo. Goose, o gato, foi também uma personagem secundária que proporcionou momentos bastantes divertidos.

Temos direito aos típicos momentos de comédia Marvel, e também alguma ação.

A dupla de realizadores não ficará na memória dos fãs, pois um primeiro filme de uma heroína da Marvel poderia ter sido melhor e mais memorável. Apesar de alguns dos efeitos serem algo confusos em cenas de ação, estiveram bem ao desenvelhecer Samuel L. Jackson e Clark Gregg.

Como o filme foi passado nos anos 90, o lugar/espaço despertou uma certa nostalgia, e trouxe várias memórias. A banda sonora, principalmente. Uma nota para a bonita homenagem que o filme fez a Stan Lee.

Sem dúvida, que o filme foi mais interessante graças ao elenco. Brie Larson foi perfeita para interpretar Carol, uma heroína irrequieta, corajosa, com princípios e divertida. O carisma desta atriz foi mal aproveitado, até, pois o argumento poderia ser melhor. O que dizer de Samuel L. Jackson como Nick Fury? Sempre carismático e essencial nestes filmes. Annette Benning trouxe algum glamour da antiga Hollywood ao filme. Jude Law também não esteve nada mal como vilão.

“Captain Marvel” é um bom filme de super-heróis que entretém, mas que desaproveitou a história e a heroína em si, pois podia ter-se tornado um marco importante na cultura pop, tal como aconteceu com “Wonder Woman”.

Classificação- 3,5 estrelas

 

 

“Spider-Man: Into the Spider Verse” 2018

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Animação, Aventura, Ação

Realização: Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman

Argumento: Phil Lord, Rodney Rothman

Elenco: Shameik Moore, Jake Johnson, Hailee Steinfeld, Mahershala Ali, Kimiko Glenn, Chris Pine…

“Homem-Aranha: No Universo Aranha” apresenta-nos Miles Morales, um adolescente negro de Brooklyn, e o mar de possibilidades do Universo Aranha, onde mais do que uma pessoa pode usar a máscara.

 

Miles Morales é um adolescente de descendência negra e latina, artista, criativo, mas normal. Vive com os pais, que o mudam para uma escola privada, mesmo não sendo esse o seu desejo. Miles nessa escola, não sabe bem qual é o seu lugar, mas para agradar o pai  lá se mudou. Mas, Miles vive numa cidade que é protegida pelo super herói Homem Aranha. Contudo, a vida de Miles quando muda quando é mordido por uma aranha radioactiva. Miles vê-se então confrontado com uma decisão: desaparecer na multidão e esquecer a promessa que fez a Peter Parker ou abraçar a sua nova faceta de herói e protetor. Identificamo-nos com Miles, um rapaz normal, nerd que não se consegue integrar na sua escola.

Esta história do herói aranhiço da Marvel é diferente das outras que já vimos em séries ou filmes, pois dois Homens Aranhas partilham um mesmo universo. Mas, outros virão visitar. Temos ainda direito a um Peter Parker depressivo, divorciado e cínico; Gwen Stacy, SpiderWoman; Peni parker, a versão japonesa; Homem – Aranha noir e o Porco Aranha.

O argumento é inteligente e rico, mesmo sendo um filme de animação. A dinâmica criada pela interação das diferentes versões Homem-Aranha proporciona momentos divertidos e caricatos. Cada um deles com a sua personalidade, passado e objetivos. Cada um deles vive a sua vida de herói de forma diferente. Contudo, também existe algo comum entre todos, algo que os faz sentirem-se parte de algo maior que eles e não tanto sozinhos. O argumento não se esconde do seu passado e faz menção a outros momentos do Homem- Aranha em filmes e séries. Para além dos nossos heróis, temos KingPin como vilão da história. Um vilão com um objetivo bem delineado, mas com um motivo bastante pessoal. Outro ponto positivo desta história é que não se esconde do lado mais feio de se ser um herói, as consequências e o que se pode perder pelo caminho, e que pode ser mesmo a própria vida.  Por outro lado, também nos mostra que qualquer pessoa pode ser um herói, uma melhor versão de si próprio. Afinal, é por isso que gostamos das histórias dos super-heróis.

Este filme junta todos os ingredientes certos de um bom filme de super-heróis, e um bom filme no geral: ação, comédia e drama.

Uma realização dinâmica e frenética cheia de cores vibrantes que nos parece que estamos mesmo a ler uma banda desenhada. Cada uma das personagens nos lembra algo específico de outros géneros de animação, como Peni Parker que certamente nos lembra Anime, ou o Homem Aranha noir que nos leva para o noir policial. E, um feito algo único, este filme colocou várias origens num só filme de forma rápida mas eficiente.

A banda sonora é viciante e recheada de boas músicas.

“Spider- Man. Into the Spider- Verse” é um filme de animação inovador e moderno, visualmente estimulante. Mas, que também tem no seu fundo uma história tocante e humana,  mas sem esquecer também a comédia.

Classificação- 5 em 5 estrelas

“Mary Queen of Scots”

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Biografia, Drama, Histórico

Realização: Josie Rourke

Argumento: Beau Willimon

Elenco: Margot Robbie, Saoirse Ronan. Jack Lowden, Guy Pearce, Gemma Chan…

Maria Stewart. Rainha da França aos 16 e viúva aos 18, Maria desafia a pressão de voltar a casar. Em vez disso, regressa ao país natal, Escócia, para recuperar o seu direito ao trono, numa altura em que a Escócia e Inglaterra estão sob o domínio da imperiosa Elisabete I. Regentes num mundo de homens, as duas têm de decidir como jogar o jogo do casamento contra a independência. Determinada a governar como mais que uma mera representante, Maria impõe a sua reivindicação ao trono inglês, ameaçando a soberania de Elisabete.

 

Mary Stuart foi enviada com apenas cinco anos para França para se casar com o futuro rei de França. Contudo, anos mais tarde o seu marido morreu ainda jovem. Mary voltou , então, para a Escócia, para reclamar o seu trono como única herdeira legítima. O seu trono era, então, “guardado” pelo seu meio-irmão protestante. Mary depressa percebeu que o facto de ser católica agora num reino protestante não iria ser fácil. Já em Inglaterra, reinava Elizabeth I. Protestante, solteira e sem filhos, Elizabeth e os seus conselheiros olhavam Mary com cautela. Já que Mary tinha uma forte reivindicação ao trono, numa Inglaterra que ainda estava a deixar o catolicismo no passado. As duas rainhas primas mas, nunca se tinham conhecido. As duas viam-se com respeito, não só por serem família, mas também por serem duas monarcas num mundo de homens, mas também com desconfiança. Elizabeth depressa começou conversações com a prima por carta, “oferecendo-lhe” até um nobre inglês para se casar com ela. Mas, esta não aceitou. Continuaram neste jogo por um tempo, sempre com a sucessão dos dois reinos pelo meio. Elizabeth acabou por prosperar, apesar de todos os obstáculos, com seguidores que se lhe mantiveram fiéis. Já Mary, foi traída vezes sem conta, acabando por morrer antes do seu tempo.

O argumento escrito por Beau Willimon foi baseado no livro biográfico de John Guy “Queen of Scots: The True Life of Mary Stuart”. Não li o livro, mas algo é certo, no filme mudaram alguns factos históricos. As duas rainhas até se podiam ter visto com respeito, mas nunca foram amigas. E, é certo que veridicamente Mary era mais tenaz e mais decidida em tomar o trono de Inglaterra. Não era tão amistosa como mostrou no filme. E, talvez o contrário se passe com Elizabeth I, que não me parece que teria ciúmes desta prima. E, também se sabe que as duas nunca se encontraram pessoalmente. Contudo, o argumento acertou factualmente no resto: o casamento falhado de Mary, as traições, o nascimento do filho, a decisão de Elizabeth…

A realizadora Josie Rourke é uma iniciante no que toca á realização de filmes, contudo nem parece. Um primeiro filme seguro e bem realizado.

O design de produção, o guarda-roupa faustoso e o cabelo/maquilhagem estiveram á altura do desafio e ajudaram a recriar este tempo do passado de rainhas e impérios.

Margot Robbie e Saoirse Ronan interpretaram de forma majestosa estas duas figuras históricas. E, o filme só ganhou com as interpretações destas duas grandes actrizes.

“Mary Queen of Scots” é um bom filme histórico que nos ajuda a conhecer melhor estas duas figuras incontornáveis da historia europeia, apesar de ter tomado algumas liberdades criativas.

Classificação – 4 em 5 estrelas

 

 

 

 

 

“Widows” 2018

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Crime, Drama, Thriller

Realização: Steve McQueen

Argumento: Gillian Flynn, Steve McQueen

Elenco: Viola Davis, Liam Neeson, Jon Bernthal, Michelle Rodriguez, Robert Duvall…

 “Viúvas” conta a história de quatro mulheres sem nada em comum, exceto a dívida deixada pelas atividades criminosas dos maridos, que já morreram. As tensões aumentam quando Verónica, Alice, Linda e Belle assumem o seu destino começam a construir o futuro nos seus próprios termos.

Baseado na série de 1983 “Widows” de Lynda La Plante, este filme teve como local a cidade de Chicago e como protagonistas quatro mulheres muito diferentes.  Os seus maridos eram assaltantes e durante um desses golpes, morreram. Deixando não só as suas famílias para trás, mas também uma dívida que teve de ser saldada. Não podendo coletar essa dívida junto do grupo de criminosos, este intimidou as esposas dos assaltantes. Estas quatro mulheres juntaram-se, assim, por necessidade. Quatro mulheres muito diferentes, com personalidades e vidas diferentes. Aos poucos conhecemo-las, e há que admirar a sua tenacidade e coragem. Contudo, o filme também se focou no problema do crime, na corrupção e nas repercussões sociais desses mesmos problemas.

O argumento do filme foi um esforço conjunto entre o realizador Steve McQueen e a já a conhecida argumentista Gillian Flynn. Notou-se coesão e qualidade no mesmo. A diferença de personalidades das protagonista proporcionaram diálogos interessantes. Revelaram ambos também inteligência na interligação dos vários pontos da história. Como por exemplo, como o crime e a corrupção corroem o meio político e os seus intervenientes.

Steve McQueen realizou o filme de forma realista e crua. Uma realização adequada ao tema e ambiente do filme. Boas cenas de ação e momentos de tensão de cortar á faca não faltaram.

O elenco deste filme esteve á altura da qualidade da realização e argumento. Viola Davis não surpreendeu, já que dá sempre o máximo em todas as suas interpretações. Daniel Kaluya foi, sem dúvida, os dos que mais surpreendeu. Interpretando uma personagem intimidante e violenta.

“Widows” é mais uma entrada segura na filmografia de Steve McQueen, realizando um thriller intenso com um bom argumento.

Classificação- 4 em 5 estrelas

 

 

 

“Vice” 2019

 

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Biografia, Comédia, Drama

Realização: Adam Mckay

Argumento: Adam Mckay

Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Steve Carrell, Sam Rockwell…

A verdadeira história de Dick Cheney, um político republicano e burocrata de Washington que discretamente exerceu um poder avassalador como vice-presidente na regência tumultuosa de George W. Bush, remodelando os Estados Unidos e o mundo de várias formas que ainda hoje sentimos.

Devo admitir que ouvia falar de Dick Cheney mas, desconhecia a sua influencia e poder como vice presidente de George W. Bush. Alliás, como se calhar grande parte das pessoas desconhecem. Mas, quando ainda era um jovem , Dick estava longe daquilo que se iria tornar.

Ora, quando ainda era um jovem Dick Cheney era um homem normal, nada tinha que o distinguia de outros mais. Foi expulso da faculdade, trabalhava como eletricista e andava perdido, até que a esposa, Lynne ameaçou deixá-lo pois ela queria mais. Então, Dick Cheney deu a volta e foi aceite no estágio na Casa Branca em Washington, na alçada de Donald Rumsfeld. Dick observou, e foi discreto, soube guardar segredos e serviu e bem o poder. Durante uma altura saiu e depois do escândalo e da consequente resignação  de Nixon, a dupla voltou para a Casa Branca. Dick tornou-se de imediato chefe de equipa. O sucesso de Dick também dependeu da esposa, até que na altura que ele concorreu para o congresso ele teve um infarte, tendo a esposa assumido algumas das suas presenças em comícios.  E, mais tarde torna-se Secretário da Defesa. Decidiu não concorrer ás presidenciais e voltou para o sector privado. Quando pensava que desta é que não voltava para a política, foi aí que recebeu um convite de George W. Bush para ser seu vice. Tanto ele e a mulher não ficaram muito entusiasmados, pois segundos os mesmo, esse cargo é quase figurativo. Mas, depois de aceitar o cargo ele virou completamente essa ideia do avesso. Depois do 11 de Setembro, Cheney viu uma oportunidade para mudar a lei a seu favor. Leis que atentavam contra a liberdade das pessoas, e outros direitos considerados imprescindíveis para o funcionamento de uma democracia. Fez com que várias leis fossem decretadas sem passar por um debate político.

Adam Mckay já tinha mostrado no filme “The Big Short” que era capaz de tratar de assuntos sérios de forma a que não se tornassem enfadonhos e fossem fáceis de perceber. Voltou a fazê-lo com este filme. Com um diálogo simples, uma história política e verídica mas no qual se percebe uma inclinação para a comédia e sátira Mas, na medida certa de forma a acreditarmos que foi real e que nos consegue elucidar sobre os bastidores da política que é impregnada de manipulação, abuso de poder e mentiras. Aliás parece mentira como tal aconteceu numa democracia, a invasão de um país por motivos nem outros que económicos, a mentira á comunidade internacional, a manipulação de informação e da mente das pessoas. Manipulando usando o argumento da segurança, quando na verdade isso não justifica tudo. Os meios não justificam os fins. E, mesmo esses fins são questionáveis. Essa administração americana acabou por criar um monstro pior. Apreciei bastante a sua realização, até mais do que no filme “The Big Short”. Adorei a parte de colocar créditos no meio do filme.

O protagonista, Christian Bale, passa mais uma vez por uma transformação que o deixa irreconhecível. O seu talento não é novidade para ninguém: mostrou-nos um Dick Cheney capaz do pior, o seu lado mais racional e político , mas também um lado mais humano, do marido e pai extremoso. Christian Bale tem uma química fantástica em ecrã com Amy Adams, uma parceiria também já repetida. Amy Adams retrata uma mulher determinada e ambiciosa. Também gostei muito da interpretação de Steve Carrell como Rumsfeld.

Gostei bastante de “Vice” pela maneira criativa como a história foi contada, tendo como base a ambição e engenho de um só homem. E, as mudanças e consequências que essa ambição e engenho tiveram na sociedade. Um filme bem realizado,com uma história interessante e que não era quase nada sem as interpretações fantásticas do seu protagonista e elenco secundário.

Classificação – 4,5 em 5 estrelas