“Titans” season 1

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Ação, Aventura, Drama

Criada por: Greg Berlanti, Akiva Goldsman, Geoff Johns

Realização: Brad Anderson, Carol Banker, John Fawcett, David Frazee…

Argumento: Marisha Mukerjee, Richard Hatem, Bryan Edward Hill, Greg Walker…

Elenco: Brenton Thwaites, Teagan Croft, Anna Diop, Ryan Potter…

Episódios: 11

Titans gira em torno de um grupo de jovens aspirantes a heróis do universo da DC Comics. Dick Grayson, provavelmente mais conhecido por ‘Robin’, é o protagonista, que sai das sombras do mentor Batman para se tornar líder de um grupo de novos heróis que inclui Starfire, Raven e muitos outros.

Eu sou grande fã da Dc, e gosto muito da equipa “Titans”. Ainda me recordo de ver o cartoon “Teen Titans” na tv. Por isso, esperava com grande expectativa a série live-action. E, tenho a dizer que tenho mix feelings em relação á série.

No início, Dick Grayson, ex-Robin, está afastado do seu mentor, Batman, e deixou a vida de vigilante para trás, e é detetive da polícia. Cruza-se com Raven, uma rapariga com habilidades diferentes, que sabe que tem algo dentro dela que não compreende, e que é perseguida por um culto. Já Kory (Starfire) não tem qualquer memória de quem é, apenas sabe que queria encontrar Raven. Quase sem querer, estes três personagens cruzam-se com Garth (Beast Boy), que também se junta ao grupo. Acabam por se juntar por necessidade. Pelo meio cruzam-se com outros, como a Doom Patrol, Hawk e Dove, Donna Troy e até Jason Todd.

No geral, a série tem um tom bastante sério onde existe pouco espaço para algum sentimento de esperança ou de leveza, cenário que é pouco associado á equipa dos Teen Titans. Podiam ter seriedade, mas podiam manter alguma da alma e código moral das personagens, o que não aconteceu. Comecemos pelo próprio Dick Grayson, que sempre se distinguiu de Batman por ser mais esperançoso, cauteloso e positivo. Na série, Dick é negativo, violento e chega a ser irritante ao culpar sempre Batman de tudo de mau que lhe aconteceu, quando ele próprio tem a sua própria quota de culpa. Kory é estranha e mais fria do que a das comics. E quem escolheu o guarda-roupa desta personagem devia ser despedido, vulgar e errado. Talvez de todos, Garth seja o mais parecido com o seu igual da banda desenhada, e trouxe alguma leveza ao grupo e á série. Em relação á história em si, não acho que seja a base que esteja mal. A história da Raven e da descoberta de quem é realmente o pai dela, até é interessante, mas nem sempre foi bem escrita. Então aquele último episodio, exploraram ao máximo o surgimento do Batman para agarrar as pessoas, mas foi um desperdício de tempo.

Pena que os melhores episódios desta temporada são aqueles nos quais entram personagens extras. Conhecemos Hawk e Dove, e alguma da sua história, trágica, mas bem escrita, que desperta curiosidade para vê-los mais tarde. Tal como a Doom Patrol, um grupo de personagens diversificado e carismático, que poderemos vê-los mais tarde numa série deles já confirmada. Escolheram bem o actor que interpretou Jason Todd, jovem, energético, provocador… E Donna Troy abrilhantou um pouco mais aqueles dois últimos episódios.

Como não podia deixar de ser, a série está recheada de easter eggs, como por exemplo a referência a Alfred Pennyworth e a Bruce Wayne, á Liga da Justiça, chegamos a ter um peek da batcave, e mesmo alguns flashbacks do passado de Dick Grayson que estão ligados a Bruce Wayne, embora ele nunca apareça, só vislumbres e nas sombras.
Um dos aspectos mais positivos da série é a ação, com uma boa coreografia ao nível da série “Arrow”. O guarda-roupa esteve mais ou menos, apesar de o fato de Robin ser bom, o de Kory, por exemplo, é pavoroso. Não sou fã da cinematografia, demasiado escura, sem vida.

Já em relação ao elenco, uns brilharam mais que outros. Brenton Thwaites até que nem é um mau Dick Grayson, embora como já referi, alguns aspectos da sua personalidade não são tidos em conta. Mas, isso a culpa não é do actor, mas do material. O mesmo acontece com Anna Diop, nota-se que é uma boa actriz, mas devido ao material, não consegue ser a Starfire ideal. Teagan Croft, na minha opinião, não foi a melhor escolha para interpretar uma personagem complexa como é Raven. Ryan Potter é adorável como Garth. Os restantes actores, desde os escolhidos para a Doom Patrol, Jason Todd e para Hawk e Dove, foram escolhas certas.

Em conclusão, esperava mais desta série live action “Titans”. Apesar de alguns boas escolhas e bons momentos, outros aspectos ficaram a desejar. Deveria ter abraçado mais a alma do grupo de heróis nas comics, para haver um equilíbrio maior entre a ação e a violência e a comédia, esperança e simplicidade.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Melhores 2018 (parte 2)

stay asyou are

“Altered carbon”

Baseada na obra de Richard K.Morgan, “Altered Carbon” é uma distopia futurista ao estilo de “Blade Runner” ou “Ghost in the Shell”. A nova série da Netflix mostra-nos uma sociedade no futuro na qual é hábito a prática de troca de corpos. A consciência de um ser humano é armazenada em “stacks”, logo esse stack pode ser transferido para um clone ou outro corpo diferente. E é nesta sociedade que, após 250 anos de confinamento, o mercenário Takeshi Kovacs acorda noutro corpo. Ele é contratado por um homem da alta sociedade para descobrir o autor do seu próprio assassinato. Nesta investigação, Kovacs conta com a ajuda de uma polícia mexicana, um ex-militar e um robô com inteligência artificial. uma série obrigatória para quem seja fã do cyberpunk, ou mesmo para quem gosta de séries que levantam uma série de questões sobre a condição humana.

“Bodyguard”

David Budd é um veterano de guerra que agora trabalha para o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres. Quando ele é designado para ser o guarda-costas da secretária do Ministério de Administração Interna do Reino Unido, cuja política representa tudo o que despreza, Budd vê-se dividido entre o dever e as suas crenças. é uma série dramática intensa que apesar da abordagem de temáticas intrincadas, não deixa de entreter ao máximo a audiência. É viciante. E, já se perspetiva no futuro uma 2ª temporada.

“Castlevania”

Baseado num jogo de vídeo japonês, esta série conta a lenda de que a cada 100 anos Drácula ressuscitaria dos mortos com o único objetivo de dominar a Terra. Os únicos capazes de impedir tal ameaça são os membros da família Belmont, caçadores de vampiros. Assim, Trevor Belmont junta-se a Alucard, o filho de Drácula, e a Sypha, uma praticante de magia, para derrotar Drácula e o seu exército. A 2ª temporada de “Castlevania” continuou a boa qualidade apresentada anteriormente, aprofundando Drácula e deixando algumas pistas do que acontecerá no futuro.

“Counterpart”

Este thriller de espionagem segue um homem chamado Howard Silk (protagonizado por J.K. Simmons), um funcionário da área burocrática de uma agência de espionagem da ONU, com sede em Berlim. Mas, tudo muda quando Howard descobre que sua organização protege o segredo de uma travessia para uma dimensão paralela, e que a sua contraparte, lhe vem pedir ajuda. Uma boa série de espiões, com bons diálogos e cenas de ação, e que deixa no ar a ideia: Será que podemos fugir daquilo que realmente somos?

“Daredevil season 3”

Inspirado na banda desenhada “Born Again”, a nova temporada de “Marvel’s Daredevil” acompanha Matt Murdock após os eventos finais de “The Defenders”. Matt Murdock volta a usar o uniforme preto e rejeita a alcunha de herói. Mas, quando o seu arqui-inimigo Wilson Fisk é libertado da prisão, Matt deve escolher entre se esconder do mundo ou aceitar o seu destino como o Demónio de Hell’s Kitchen. esta 3ª temporada de “Marvel’s Daredevil” é das melhores temporadas televisivas do ano devido à sua excelente qualidade em todos os parâmetros: um argumento mais realista, com novas personagens fortes, sem as personagens que só ocupavam espaço (como Claire Temple), e mantendo a qualidade na realização, edição, ação… Uma história sobre a queda e ascensão de um herói, mas que também fala da perseverança do espírito humano, de redenção e de segundas oportunidades.

“Mayans MC”

“Mayans MC” é uma série dramática de Kurt Sutter e Elgin James, um spin off da série “Sons of Anarchy”. A história passa-se num mundo pós Jax Teller, no qual EZ Reyes é um pretendente a integrar os Mayans MC, próximo da fronteira entre a Califórnia e o México. Agora, EZ deve encontrar o seu caminho, numa cidade na qual ele já foi o prodígio com o sonho americano ao seu alcance. “Mayans M.C.” merece que os antigos fãs de “Sons of Anarchy” lhe dê uma oportunidade, pois apesar de ainda não ser de tão boa qualidade, consegue prender o/a espectador/a. E, para quem não viu “SOA”, também poderá ver a série, pois é a sua própria história. E, é uma série com temática de motas e motards, o que não deixa de ser cool, e não existem muitas desse género específico.

“Patrick Melrose”

Baseado na série literária de Edward St. Aubyn, esta série narra a vida angustiante de Patrick Melrose, da sua infância traumática, ao abuso de substâncias na fase adulta e, por fim, em sua recuperação. “Patrick Melrose” é uma série que atinge a melhor qualidade em todos os aspectos: realização, elenco, design de produção, argumento… É, sem dúvida, umas das melhores séries do ano, e Benedict Cumberbatch tem uma das suas melhores interpretações. Uma série que nos mostra como os traumas na infância influenciam a vida adulta, mas também nos dá uma mensagem de esperança e resiliência.

“Westworld” season 2

Esta 2ª temporada criou expectativa nos fãs. E, começa logo após a rebelião dos Hosts e do assassínio de Ford. No começo de um novo dia no parque, já não existe um guião e os Hosts têm liberdade de escolha. Uma série que marca pela originalidade da sua história, pelas questões do que significa ser humano, mas também pela qualidade que exibe em todas as vertentes.

“Bodyguard” season 1

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Crime, Drama, Thriller

Realização: John Strickland, Thomas Vincent

Argumento: Jed Mercurio

Elenco: Richard Madden, Sophie Rundle, Vincent Franklin, Ash Tandon, Gina Mckee, Keeley Hawes…

Episódios: 6

David Budd é um veterano de guerra que agora trabalha para o Serviço de Polícia Metropolitana de Londres. Quando ele é designado para ser o guarda-costas da secretária do Ministério de Administração Interna do Reino Unido, cuja política representa tudo o que despreza, Budd vê-se dividido entre o dever e as suas crenças.

“Bodyguard” estreou no canal BBC e, atualmente está disponível no serviço Netflix. Para ser sincera, decidi ver esta série porque fui bombardeada pela internet com artigos sobre a nova série sensação. Nem fui ver trailers nem procurei informação, fui quase às escuras. E, não fiquei desiludida.

Não se enganem, esta série nada tem a ver com o filme “The Bodyguard” com Kevin Costner, aliás não poderia ser mais diferente. “Bodyguard” aborda a temática mais que usada do terrorismo, mas também mais que isso. Um thriller político intenso com conspirações, intrigas, escândalos políticos, abuso de poder… Conhecemos os meandros da política e que para alguns tudo se justifica para ganhar mais poder. Outro tema abordado e relevante atualmente é o facto de cada vez mais a segurança se sobrepor á privacidade. Até que ponto não se está a comprometer a democracia ao se limitar e atacar a liberdade dos cidadãos, comprometendo a sua privacidade. E, será que a sociedade deve sucumbir ao medo, e pôr em causa os alicerces da sociedade ocidental.

O protagonista é David Budd, um ex-veterano de guerra que para sustentar a família trabalha como guarda-costas da secretária do Ministério da Administração Interna cujas políticas não concorda. Na perspetiva de David, os políticos apenas tomam decisões baseadas nas suas próprias agendas, e não se preocupam com as verdadeiras repercussões da guerra. Para além disso, David sofre de Perturbação de Stress Pós- Traumático que não é visível à primeira vista, mas que condiciona a sua vida familiar e profissional. Socialmente, soldados com PSPT são relegados socialmente. Contudo, David continua a fazer o melhor que pode, como pai, marido e profissional: focado, inteligente, rigoroso, íntegro. Vamos conhecendo outras personagens como Julia Montague, a secretária do Ministério da Administração Interna (a sua relação com David Budd humaniza-a depois de no início a vermos como uma política fria e determinada), a chefe de Polícia Anne Sampson, ou o chefe dos Serviços Secretos Stephen Hunter- Dunn. E, até ao final nunca sabemos as verdadeiras intenções das personagens, até do próprio David.

O argumento é rico em temáticas e é socialmente pertinente, pois faz-nos pensar sobre a sociedade actual. Existe um bom equilíbrio entre o diálogo, a construção das personagens e a ação. Mas, seja qual for o momento, a tensão é palpável. A história que se desenrola em apenas 6 episódios é focada, não se perde em devaneios, e por isso tem um bom ritmo. A realização, dividida entre dois realizadores, é de qualidade, e parece que se está a assistir a um filme.

Richard Madden é o protagonista e apesar de já reconhecermos o seu potencial desde os tempos da série “Game of Thrones”, nesta série ele superou-se. Aguentou o protagonismo e entregou-se completamente à complexidade da personagem. O restante elenco faz um trabalho competente e credível.

“Bodyguard” é uma série dramática intensa que apesar da abordagem de temáticas intrincadas, não deixa de entreter ao máximo a audiência. É viciante. E, já se perspetiva no futuro uma 2ª temporada.

“Mayans M.C.” season 1

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Crime, Drama

Criado: Kurt Sutter

Realização: Norberto Barba, Peter Weller, Batan Silva…

Argumento: Andrea Ciannavei, Santa Sierra, Bryan Gracia…

Elenco: J.D. Pardo, Clayton Cardenas, Sarah Bolger, Michael Irby, Carla Baratta…

Episódios: 10

 “Mayans MC” é uma série dramática de Kurt Sutter e Elgin James, um spin off da série “Sons of Anarchy”. A história passa-se num mundo pós Jax Teller, no qual EZ Reyes é um pretendente a integrar os Mayans MC, próximo da fronteira entre a Califórnia e o México. Agora, EZ deve encontrar o seu caminho, numa cidade na qual ele já foi o prodígio com o sonho americano ao seu alcance.

“Sons of Anarchy” foi uma série que teve grande sucesso na tv. E, o protagonista Jax Teller será um dos mais complexos e carismáticos de sempre. Assim, o criador da série tenta agora repetir a fórmula de sucesso com uma série spin off que se passa no mesmo mundo de “SOA”, mas passado algum tempo depois da temporada final de “SOA”, e com um outro clube de motards já familiar, o Mayans MC, mas do Norte da Califórnia. O protagonista, EZ, volta á cidade depois de sair da prisão e entra como iniciante no clube com a proteção do irmão, Angel. EZ saiu da prisão porque fez um acordo, pena reduzida em troca de informação sobre o cartel. E, para complicar ainda mais a situação, EZ descobre que a sua ex-namorada é a esposa de Miguel Galindo, o chefe do cartel. Miguel Galindo, um mobster com educação superior que investe na comunidade. Mas, apesar do mc ter uma aliança com o cartel, alguns membros do clube não vêm essa aliança com bons olhos. Que por sua vez encetam planos nas costas do clube para acabar com essa relação. Pois, a vida do clube está a ser afetada pelo conflito entre o cartel e o grupo de rebeldes Los Olvidados, que quer vingar-se do cartel. EZ tem de jogar as suas lealdades com cuidado, ou será morto, equilibrar o seu compromisso com as autoridades, a sua lealdade para com o clube e a família, e respeitar os seus próprios limites. E, aos poucos vamos conhecendo o passado não só de EZ, mas de outras personagens que terão um impacto no presente.

Apesar de sentirmos a falta de antigas personagens de “SOA”, como Jax, Tig ou Chibs, “Mayans MC” também nos dá personagens interessantes como a dupla Ez e o seu irmão Angel, o pai extremoso e protetor Filipe, os membros do clube Coco (impossível não gostarmos de Coco) e o carismático líder deste clube Bishop… Personagens femininas fortes como Emily e Adelita, uma esposa de um líder de um perigoso cartel, outra líder dos rebeldes, mas ambas inteligentes e determinadas. E revemos Marcus Alvarez, o líder dos Mayans, Chucky, o destemido e estranho procurador Lincoln Potter, entre outros… Em cada episódio, eu estava à espera que algum dos membros dos Sons aparecesse e/ou mais referências ao que aconteceu no passado, queria mais.

O argumento da série, apesar de não ser tão complexo como em “SOA” e da parte do cartel Galindo também já ter sido usada em “SOA”, tem o seu mérito e interesse. É uma história de sobrevivência, de jogos de poder, de manipulação, e adaptada á realidade dos que vivem entre a fronteira dos EUA-México. E, não falta a dose certa de violência, drama, ação, humor e, metáforas (como por exemplo, no primeiro episódio vemos um cão vadio a comer um corvo, corvo que é símbolo dos Sons). E, também se note a exaltação da importância da família, seja aquela na qual nascemos, ou aquela que escolhemos. EZ e Angel tem uma boa relação de irmãos, mas também têm cumplicidade, por exemplo, com Coco. Outro tema recorrente é que nem tudo é preto e branco, ou vilões e heróis. Às vezes, os membros do mc conseguem ser mais humanos que alguns políticos e membros da autoridade, que supostamente deveriam zelar pela justiça e respeito ao próximo. Temos o exemplo da presidente da câmara que, como ela refere, atua no cinzento, pois colabora com o cartel por necessidade. Nesta série, não existem claros heróis e vilões.

O elenco faz um trabalho competente o que ajuda a consolidar a série. Sentimo-nos logo atraídos pelo protagonista EZ, protagonizado por J.D. Pardo, inteligente, corajoso e leal, e identificamo-nos com ele. A qualquer um pode acontecer um azar na vida que nos leve por um caminho diferente. Angel e Coco, protagonizados por Clayton Cardenas e Richard Cabral, são personagens com defeitos que cometeram muitos erros, mas que não deixamos de gostar, protegem aqueles que gostam acima de qualquer custo. Edward James Olmos é um actor veterano que acrescenta qualidade à série. Algumas das melhores das cenas são protagonizadas por ele e, por exemplo, com J.D.Pardo.

No que respeita à realização, apesar de ter sido dividida por várias pessoas, foi igualmente positiva e a divisão em 10 episódios fez com que a história não se arrastasse. A música, tal como em “SOA”, tem um papel crucial.

“Mayans M.C.” merece que os antigos fãs de “Sons of Anarchy” lhe dê uma oportunidade, pois apesar de ainda não ser de tão boa qualidade, consegue prender o/a espectador/a. E, para quem não viu “SOA”, também poderá ver a série, pois é a sua própria história. E, é uma série com temática de motas e motards, o que não deixa de ser cool, e não existem muitas desse género específico. E, para o ano já está confirmada uma 2ª temporada.

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“Castlevania” season 2

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Animação, Ação, Aventura

Realização: Sam Deats, Adam Deats e Spencer Wan

Argumento: Warren Ellis

Elenco: Richard Armitage, Graham McTavish, James Callis, Alejandra Reynoso, Theo James, Jaime Murray…

Episódios: 8

Baseado num jogo de vídeo japonês, esta série conta a lenda de que a cada 100 anos Drácula ressuscitaria dos mortos com o único objetivo de dominar a Terra. Os únicos capazes de impedir tal ameaça são os membros da família Belmont, caçadores de vampiros. Assim, Trevor Belmont junta-se a Alucard, o filho de Drácula, e a Sypha, uma praticante de magia, para derrotar Drácula e o seu exército.

A 1ª temporada de “Castlevania” tomou de assalto o serviço de streaming da Netflix e, mesmo com apenas 4 episódios, conseguiu arrancar elogios dos espectadores.

Ora, a 2ª temporada começa imediatamente após os acontecimentos do último episódio da 1ª temporada, e do último confronto do trio de amigos com as forças de Drácula.

Contudo, esta temporada focou-se mais em Drácula e naquilo que se passava dentro do seu castelo. Com um foco maior em Drácula, percebemos melhor a sua personalidade e motivação, e que é um vilão multidimensional. Uma personagem inteligente e culta, mas que perdeu a vontade de viver. Uma história algo trágica que envolve Drácula e a sua família. Mas, Drácula teve de enfrentar conspirações e dúvidas dentro do seu próprio conselho. Ora, no seu conselho de guerra emergiram algumas novas personagens nas quais a série passou algum tempo a contextualiza-las. Como Carmilla, Isaac e Hector. Carmilla uma vampira manipuladora que esteve mais preocupada com os seus próprios objetivos. Já Isaac e Hector são dois humanos que apoiaram Drácula na sua guerra, embora com personalidades e motivações diferentes, que percebemos também ao conhecermos o passado de cada um. Drácula até os nomeou como generais, pois segundo ele, não são motivados pela sede de sangue. (Serão personagens que aparecerão no futuro, de certeza).

O argumento desta 2ª temporada beneficiou no foco em Drácula, contudo gostaria de ter visto o trio Trevor, Alucard e Sypha fazer algo mais durante a temporada do que participarem na batalha final, só nos últimos episódios. O legado da família Belmont parece rico e interessante para ser explorado. E, Trevor, apesar da hesitação inicial, parece empenhado na sua função como caçador. Já Alucard é uma personagem bastante interessante, frio e distante, mas com emoções e traumas guardados dentro de si. Dividido entre dois mundos, o dos humanos e o dos vampiros. Espero conhecer mais da personagem. A química do trio continuou forte e resultou no ecrã, proporcionando momentos de humor, ligação e ação também.

Aliás, como seria de esperar, boas sequências de ação não faltaram, com violência, monstros e sangue à mistura.

A série continuou com uma estética visualmente forte, com cenários detalhados e cores atrativas. E, o elenco de vozes fez um trabalho satisfatório e competente.

A 2ª temporada de “Castlevania” continuou a boa qualidade apresentada anteriormente, aprofundando Drácula e deixando algumas pistas do que acontecerá no futuro. Um conselho, como a 1ª temporada apenas tem 4 episódios, parecerá mais fluído assistir-se aos episódios todos seguidos, 12 episódios no total.

“Marvel’s Daredevil” season 3

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Ano: 2018

Género: Ação, Crime, Drama

Realização: Phil Abraham, Stephen Surjik, Mark Jobst, Alez Garcia Lopez, Jennifer Getzinger…

Argumento: Tonya Kong, Sarah Streicher, Erik Oleson…

Elenco: Charlie Cox, Deborah Ann Woll, Elden Henson, Vincent D’ Onofrio, Royce Johnson, Geoffrey Cantor, Jay Ali…

Episódios: 13

Inspirado na banda desenhada “Born Again”, a nova temporada de “Marvel’s Daredevil” acompanha Matt Murdock após os eventos finais de “The Defenders”. Matt Murdock volta a usar o uniforme preto e rejeita a alcunha de herói. Mas, quando o seu arqui-inimigo Wilson Fisk é libertado da prisão, Matt deve escolher entre se esconder do mundo ou aceitar o seu destino como o Demónio de Hell’s Kitchen.

E, esta foi a base para aquela que pode ser considerada a melhor temporada desta série, e mesmo a melhor temporada das séries Marvel/Netflix.

Tal como o referido, na última vez que vimos o Demónio de Hell’s Kitchen em “The Defenders” ele foi dado como morto. Já no início desta 3ª temporada, Matt foi encontrado e trazido para o orfanato no qual cresceu, onde recuperou. Mas, este sacrifício trouxe consequências não só físicas como psicológicas. Encontramos o nosso protagonista moralmente perdido, questionando a sua jornada e a sua vida dupla de Matt Murdock/Demónio. A questionar mesmos as suas crenças religiosas e o seu papel como herói. Ao seu lado, o padre Lantom e a Irmã Maggie (que Matt também conheceu da sua infância) foram os seus conselheiros. Ao mesmo tempo, Matt ficou a saber que Wilson Fisk foi libertado, o que não ajudou ao seu sentimento de revolta e impotência. A solução: voltou ao básico e desprendeu- se da vida de Matt Murdock, da sua profissão e das amizades, focando-se apenas em eliminar Fisk. Ao mesmo tempo, a consciência de Matt foi assombrada por dilemas transfigurados em figuras do passado.

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Foggy e Karen lidaram de diferentes maneiras com a perda de Matt, e tentaram à sua maneira batalhar a ameaça de Wilson Fisk. Conhecemos um pouco também destas personagens como o passado de Karen, a família de Foggy…

Já Wilson Fisk nunca esteve melhor: manipulador, calculista, torceu a lei a seu favor. Para além de querer sair da reclusão, um dos seus objetivos foi trazer de volta a sua amada, Vanessa, para junto dele. E, outro foi destruir a pessoa Matt Murdock e a reputação do Demónio de Hell’s Kitchen. Tentou distorcer acontecimentos, virando a comunidade contra o vigilante que todos pensavam ser um herói. Chegou a ser assustador perceber o alcance de poder que Kingpin (alcunha já dada nesta temporada) teve ao seu dispor.

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Outro vilão apresentado nesta temporada foi Bullseye, ainda conhecido por agente Pointdexter. Bullseye é um conhecido vilão de Daredevil na banda desenhada e teve aqui a sua estreia em tv. Seguido desde criança por terapeutas, Dex é obsessivo, perfeccionista, e tenta ser empático. E, tem uma capacidade acima da média em combate e tiro. Fisk aproveitou-se da sua vulnerabilidade para torna-lo útil para os seus planos. Fisk também se aproveitou da vulnerabilidade do agente Naddem, um agente que apenas queria fazer o seu trabalho, mas que depressa se viu envolvido em esquemas perigosos sem saída.

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O argumento foi bem escrito, focando-se maioritariamente em Matt Murdock e na sua jornada, mas também equilibrando as restantes personagens e acontecimentos. Todas as personagens tiveram arcos significativos com impacto na história, desde ao amigos fiéis de Matt Murdock que se recusaram a ficar de braços cruzados, à Irmã Maggie que escondeu um segredo surpreendente, ao aplicado e justo agente Naddem, ao misterioso Agente Pointdexter… Apesar dos 13 episódios, não se deu pelo tempo passar, existindo um equilíbrio entre os tempos de contemplação, ação, diálogo e flashbacks. Ao que ajudou a qualidade da realização, o que resultou em episódios bem realizados e editados, recheados de suspense e tensão. Momentos de ficar agarrado ao ecrã. Um exemplo dessa qualidade foi o episódio 5, que recriou eventos do passado de uma forma criativa e diferente. As cenas de acção desta série já nos habituaram ao melhor, e esta temporada não foi excepção. Cenas violentas e credíveis de lutas corpo a corpo, e a perícia específica do agente Pointdexter trouxe uma nova dimensão a esse tipo de lutas. E, claro tivemos direito há já típica cena do corredor.

O elenco nunca esteve melhor, mas destaco alguns. Charlie Cox foi e é perfeito como Matt Murdock/Demónio de Hell’s Kitchen. Conseguimos sentir a sua dor física e emocional. Vincent D´ Onofrio tem uma presença intensa como Wilson Fisk, uma personagem complexa, que é capaz de cometer as piores atrocidades, mas que também sente afecto por certas pessoas na sua vida. Uma das cenas de Matt e Fisk é das mais intensas já vistas na série. Wilson Bethel dará um excelente futuro Bullseye, já que Pointdexter é dotado de uma psique complicada, e consegue ser letal e creepy. Jay Ali (Agente Naddem) é aquele tipo de personagem que tudo lhe correu mal, mas pela qual não deixamos de torcer.

Em conclusão, esta 3ª temporada de “Marvel’s Daredevil” é das melhores temporadas televisivas do ano devido à sua excelente qualidade em todos os parâmetros: um argumento mais realista, com novas personagens fortes, sem as personagens que só ocupavam espaço (como Claire Temple), e mantendo a qualidade na realização, edição, ação… Uma história sobre a queda e ascensão de um herói, mas que também fala da perseverança do espírito humano, de redenção e de segundas oportunidades.

Depois do cancelamento de “Iron Fist” e “Luke Cage”, espero que “Daredevil” escape porque provou uma vez mais que é a série mais forte da parceria Netflix/Marvel.

PS: Fiquei bastante desiludida com o cancelamento das séries “Iron Fist”, que nesta última temporada tinha melhorado, e de “Luke Cage” que sempre foi uma boa série, na minha opinião. Talvez uma boa ideia fosse juntar os dois heróis numa série conjunta.

“Marvel’s Iron Fist” season 2

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Ação, Aventura,

Realização: Stephen Surjik, M. J. Bassett, David Dobkin, Rachel Talalay…

Argumento: Gil Kane, Roy Thomas, Jenny Lynn, Matthew White…

Elenco: Finn Jones, Jessica Henwick, Jessica Stroup, Tom Pelphrey, Sacha Dhawan, Alice Eve…

Episódios: 10 episódios

A 2ª temporada, temporalmente, passa-se depois da série “The Defenders”. Assim, encontramos Danny a proteger a cidade de Nova Iorque, conforme tinha prometido a Matt Murdock. Para além disso, uma guerra das tríades ameaça a comunidade. Contudo, antigos amigos/aliados aliam-se contra Danny.

A 1ª temporada de “Iron Fist” foi fraquinha e aborrecida, e a poucos agradou. Mas, esta 2ª temporada melhorou graças a algumas mudanças importantes.

Esta 2ª temporada teve 10 episódios, ao contrário dos 13 episódios da temporada anterior. O enredo foi mais focado, e por exemplo não se perdeu tempo com políticas empresariais e afins. Deu-se mais atenção à mitologia do poder iron fist, não só com explicações por parte das personagens, mas também com flashbacks, que ajudaram a compreender não só a personagem Danny Rand (e como ganhou o iron fist), como a sua relação com Davos. Outra mudança importante foi na ação da série. As coreografias das cenas de luta foram muito melhores, mais intensas e credíveis.  Aliás, cenas de ação não faltaram e deram dinâmica à série.

Danny Rand melhorou como protagonista, mais empático e terra a terra. Continuou a praticar o bem e a proteger cidade, contudo carregar o peso da responsabilidade do iron fist começou a notar-se. Já Collen teve mais destaque nesta temporada, e é uma personagem feminina determinada e carismática. Tal como Misty Knight, que apareceu em alguns episódios, e ajudou os amigos. E, foi inegável a dinâmica eletrizante de Misty e Colleen, talvez mais tarde servirá de mote para uma nova série. Ward foi, novamente, uma das personagens mais interessantes da série. Como ele o disse, é um trabalho em desenvolvimento, pois todos os dias luta contra o vício, e tenta ser uma pessoa melhor. E quis recuperar a relação com a irmã, Joy. Mas, sempre com sarcasmo à mistura. E, a sua relação com Danny também foi das melhores desta temporada, uma relação de irmãos. Depois de tudo o que aconteceu no passado, eles conseguiram superar isso e seguir em frente. O que não aconteceu com Joy. Joy é sarcástica e vingativa, aliás, na sua parceria com Davos, ela foi a mais interessante. Mas, também Joy começou a interrogar-se do caminho da vingança. Davos quis vingança e carregou-a sobre Danny, o causador da sua dor e ressentimento. O poder que alcançou fez com que perdesse o controlo. Contudo, para mim, não consegue ser um vilão de mão cheia. Mas, à parceria também se juntou Mary, uma mercenária com perturbação dissociativa da personalidade que é mais do aquilo que parece. Calculista, racional, chega a provocar-nos arrepios. As tríades também tiveram um papel importante nesta temporada. O término da organização criminosa, “The Hand”, criou uma oportunidade para outra organização ao poder, então as Tríades guerrearam entre si. Mas, com Davos nas sombras e a querer eliminar a doença que se propaga em Nova Iorque, o crime, as Tríades tiveram de mudar os seus papéis: de inimigos para aliados.

Mas, esta 2ª temporada também apresentou algumas falhas. A maior, para mim, foi o vilão, Davos. Não acho que seja tão carismático como Mary, ou até Joy. E, a temporada, apesar de apenas ter 10 episódios, demorou um pouco a desenvolver-se.

O elenco foi bem escolhido, tendo em conta as suas personagens. Mas, destaco Jessica Stroup (Joy), Tom Pelphrey (Ward) e Alice Eve (Mary Walker). Na minha opinião, foram os que tiveram cenas mais intensas, então Alice Eve foi excecional a interpretar duas personalidades de uma mesma personagem.

O final foi surpreendente e mudará muitas circunstâncias na próxima temporada. No último episódio, depois dos créditos, ainda tivemos direito a uma preview da 3ª temporada de “Daredevil”.

“Iron Fist” melhorou bastante nesta segunda temporada, redimindo-se de alguns erros passados. Ação, realização, argumento, tudo melhorou. Contudo, ainda não está ao nível de “Daredevil”.